Imagine chegar no escritório e, de repente, esquecer completamente da sua vida fora dele. Ao sair do trabalho, todas as experiências profissionais também desaparecem da sua memória. Essa é a premissa da série Ruptura, que tem conquistado o público e gerado debates importantes sobre bem-estar no trabalho, um tema que será central para o RH em 2025/2026 e deve ser prioridade para as lideranças.

No lançamento da série, a internet foi inundada de comentários sobre como o procedimento de “separação de memórias” poderia ser útil nos dias de hoje. Alguns chegaram a sugerir que essa seria a solução para o esgotamento profissional, o famoso burnout. Mas será que essa “solução” seria realmente benéfica?

Por anos, ouvimos que a chave para a felicidade era manter vida pessoal e profissional completamente separadas. No entanto, com as transformações do mundo corporativo, fica cada vez mais claro que a vida é uma só. As experiências pessoais e profissionais estão interconectadas e são fundamentais para nossa singularidade, essência, tomada de decisão e planejamento. A vivência fora do trabalho enriquece a carreira, trazendo diferentes perspectivas e opiniões, tornando o ambiente corporativo mais diverso e inovador.

O verdadeiro “segredo” para um equilíbrio saudável está no investimento na saúde mental dos colaboradores. Isso inclui valorizar o background de cada um, oferecer espaços que favoreçam a produtividade e, consequentemente, aumentar o engajamento e a retenção de talentos.

A solução, portanto, não está em separar vida pessoal e profissional, mas em encontrar um ponto de equilíbrio que permita “viver o melhor dos dois mundos”.

Um ambiente de trabalho saudável vai além de apenas um espaço físico confortável ou da ausência de conflitos. Ele é um ecossistema que promove o bem-estar, a colaboração e o desenvolvimento contínuo dos profissionais. Esse tipo de ambiente se caracteriza por segurança psicológica, relações de confiança, reconhecimento, comunicação aberta e oportunidades de crescimento.

Agora, se conectarmos esse conceito ao flow, teoria desenvolvida por Mihaly Csikszentmihalyi, podemos entender que um ambiente saudável é aquele que possibilita que os colaboradores alcancem estados de alto engajamento e produtividade. O flow ocorre quando há um equilíbrio entre desafios e habilidades – ou seja, quando as tarefas são suficientemente desafiadoras para manter o profissional motivado, mas sem serem tão difíceis a ponto de gerar ansiedade ou tão fáceis a ponto de causar tédio.

Para que entrem em estado de flow, é fundamental que tenham desafios alinhados ao seu nível de conhecimento, recebam feedbacks constantes, sintam que seu trabalho tem impacto e tenham espaço para explorar sua criatividade e autonomia. Mas esse assunto pode ficar para outro post, de tanto que gosto dele! Fazem 3 anos que trabalho para uma consultoria chamada FlowGroup e pude conhecer de pertinho a teoria de flow.

E você, já parou para pensar: se fosse possível…

  • seu colaborador optaria por um procedimento como o da série Ruptura?
  • você optaria?

 A resposta pode dizer muito sobre o ambiente de trabalho que estamos construindo, ou que estamos inseridos 😉


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